Propaganda & Marketing

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Arquivo para ‘Senta a Púa!’

Paris n’existe guère!

Junho 21, 2010 Por: Mário d'Alcântara Categoria: Senta a Púa! Sem comentários →

Lá se foi a minha Paris. Tal como Gertrude Stein, eu sempre disse: minha terra é o Brasil, minha cidade é Paris. Paris não existe mais. Em seu lugar há hoje um imenso borborinho africano nas ruas, nos bares, nas lojas. Gente revoltada, animalizada pela dificuldade da vida, espezinhada pela sociedade, e que nos dá o troco insultando, maltratando, vingando-se dessa tragédia da culpabilidade sem causa. Gente de todas as favelas da terra assombram os dias e as noites de Paris. Falam-se, em cada esquina, trinta, quarenta idiomas. Com um precário conhecimento do francês, os vendedores, nas lojas, fazem questão de não se comunicarem, dando as costas aos clientes. O desrespeito é total. Malaios, japoneses, africanos, empoleiram-se na Vitória de Samotrácia, no Louvre, para serem fotografados. Sujeira e fedor por toda parte. Lixo jogado a torto e direito nas ruas, nas calçadas, nos prédios públicos. Voltei da França muito triste. A famosa “civilisation française” foi para o brejo. O jeito é caminhar por entre as sepulturas dos grandes nomes do gênio francês, este, tão defunto quanto os ilustres moradores do Père Lachaise…

Marketing do mesmismo

Abril 18, 2010 Por: Mário d'Alcântara Categoria: Senta a Púa! 1 Commentários →

Passei o sábado e domingo cumprindo uma missão que eu mesmo me impus: ver televisão. A cabo e aberta. Cento e tantos canais. Só propaganda. Quando começava um filme do gênero farofa, ou seja, “Kung-Fu Contra o Dragão do Mal” ou “ Rambo XX”—hoje as minhas  preferências intelectuais!—eu desligava. Eu tinha de ver o que estava acontecendo no mundo da propaganda.

Ao final do primeiro dia, eu estava profundamente entediado. Na segunda noite, domingo, liguei para meus filhos, a fim de que eles me fizessem companhia, senão eu pulava lá embaixo, na Avenida Afonso Pena. Suicídio por saturação, auto-extermínio por excesso de matéria fecal no cérebro!

Não há nada de novo. Será, meu Deus do céu, que o ser humano se exauriu? Secou-se a seiva, esvaiu-se o fluido criativo, eliminaram-se as sinapses do miolo cerebral humano? É tudo a mesma lengalenga. Comercial de lâmina de barbear, de pasta dental, de sabonete com eliminador bacteriano, de rede de reservas de hotéis, de cerveja, enfim, de um sem número de produtos: nada de novo no front. Insípidos, insossos, insulsos,desinteressantes, tediosos, monótonos. Quem já viu um, já viu todos!

Não há uma centelha criativa sequer, não beleza plástica, não há emoção. E, o que é pior: esqueceu-se, em caráter definitivo, que o objetivo é criar um “ make move”, tirar o consumidor de sua letargia. Em outras palavras: a propaganda deixou de considerar o ser humano como o objetivo de qualquer mensagem, de qualquer esforço de comunicação de marketing.

E eu faço uma pergunta ao anunciante: qual o percentual de seu dinheiro que está sendo jogado fora com propaganda, com marketing de má qualidade?

(Parêntese que julgo muito importante. De que adianta o brilhantismo estratégico do planejamento se a criação não dá conta do recado? Erwin Rommel, que eu cito sempre como um grande planejador, dizia:–“ De nada vale um plano estratégico que não possa ser resolvido taticamente”. Vender biquíni pode ser, estrategicamente, um ótimo negócio. Mas taticamente inviável se sua fábrica estiver em um país arraigadamente muçulmano). Criação é portanto a grande manobra tática do marketing. E sem essa arma empregada para conseguir o máximo de eficácia nas nossas batalhas pela mente do consumidor, nossa luta é uma luta vã, fadada ao malogro.

Será que estou sendo demasiado pessimista?

Tô não. O que há em mim são os valores, os critérios de análise do que tenha sido boa propaganda nos últimos duzentos anos. A Internet e a sociedade da informação podem ter alterado a forma mas nunca a qualidade do conteúdo apto a mexer com a alma, com os corações e mentes do ser humano, tenha ele nascido antes da primeira roda de pedra ou já ser um habitante integrado ao ciberespaço.

Nos vários milênios da história humana sobre a terra, o bicho-homem continua a querer reproduzir-se e sobreviver. Só isso. E para tanto, todas as suas ações estão baseadas nessa busca sôfrega para alcançar essas duas metas. Sobre essas duas forças assenta-se o dilema existencial humano: a eterna busca pela felicidade.

Considero a propaganda como um instrumento facilitador das várias escolhas que o ser humano pode fazer para completar o lado material de sua felicidade. Para isso, no entanto, deve-se salientar, fazer-se destacar, através da emoção, do impacto estético, do estímulo inovador, as vantagens de um produto ou serviço dentre os inúmeros outros produtos congêneres  que  são ofertados. Esse diferencial, essa possibilidade de tornar um determinado produto ou serviço NOTÁVEL entre os demais, é o grande produto da criação em propaganda. Se não há esse diferencial, impera o mesmismo, o “me-tooism” como se diz em inglês. E aí, fracassam todas as possibilidades de escolha. E o ser humano, passa a página ou desliga a televisão. O que é o supremo castigo da má propaganda.

Meu tio Tininho tem uma teoria ótima: deveria haver um aparelho que provocasse uma dor, um beliscão, uma pontada  no cidadão que estivesse apresentando um produto, uma propaganda, um programa de rádio ou televisão.

Assim, o cara saberia que estamos desligando nossos aparelhos, ou mudando de canal. No Brasil de hoje, se houvesse tal aparelho, só haveria, como já advertiam dois Evangelistas, “pranto e ranger de dentes”.

Muito triste. Mas muito merecido.

OI TV:Releitura do Inferno de Dante!

Abril 16, 2010 Por: Mário d'Alcântara Categoria: Senta a Púa! Sem comentários →

Não há nada pior do que o tal de call-center das empresas prestadoras de serviço! O pessoal é destreinado e você não tem a quem apelar. O PROCON, a meu ver, não vale nada. Você reclama, reclama, reclama e a titica continua a mesma.Minha novela pessoal, um drama, teve início em 23 de março de 2010. Comprei um pacote de filmes na Oi TV. Viajei. O pessoal da Oi esteve lá em casa, trocou o decodificador analógico pelo decodificador digital, deixou um controle remoto complicado, e mais nada. NENHUM MANUAL DE USO. Liguei para a OI CINCO VEZES. A cada vez uma mocinha me jurava de pés juntos que ia mandar um manual pelo correio. Nada. Voltei a ligar pela sexta vez ontem, dia 15 de abril. Um rapaz chamado Rolmário, burro como uma anta, grosseiro, me disse que não era possível me enviar o manual pelo correio e que eu ” APRENDESSE A MEXER COM O CONTROLE REMOTO SOZINHO”. Desliguei. Voltei a ligar. Uma menina, fina, educada, maior gracinha, me atendeu e me pediu para passar em uma loja qualquer da OI que eles me dariam um manual na hora. Bastava me identificar e apresentar o  CPF. Vamos ver. Vou lá agora….

Abril 16, 2010 Por: Mário d'Alcântara Categoria: Criatividade!, Senta a Púa! Sem comentários →

A história de Chapeuzinho Vermelho na imprensa brasileira

Abril 07, 2010 Por: Mário d'Alcântara Categoria: Senta a Púa! Sem comentários →

Veja as diferentes maneiras de contar a mesma história.

  Jornal Nacional  (William Bonner): ‘Boa noite. Uma menina chegou a ser  devorada por um lobo na noite de ontem…’  (Fátima Bernardes): ‘… Mas a atuação de um lenhador evitou a tragédia. ‘   Programa da Hebe  ’… Que gracinha, gente! Vocês não vão acreditar, mas essa menina linda aqui foi retirada viva da barriga de um lobo, não é mesmo?’   Cidade Alerta  (Datena): ‘… Onde é que a gente vai parar, cadê as autoridades? Cadê as autoridades? A menina ia pra casa da vovozinha a pé! Não tem transporte público! Não tem transporte público! E foi devorada viva… Um lobo, um lobo safado. Põe na tela, primo! Porque eu falo mesmo, não tenho medo de lobo, não tenho medo de lobo, não!  Superpop   (Luciana Gimenez): ‘Geeente! Eu tô aqui com a ex-mulher do lenhador e ela diz que ele é alcoólatra, agressivo e que não paga pensão aos filhos há mais de um  ano. Abafa o caso!’ Globo Repórter (Chamada do programa): ‘Tara? Fetiche? Violência? O que leva alguém a comer, na mesma noite, uma idosa e uma adolescente? O Globo Repórter conversou com psicólogos, antropólogos e com amigos e parentes do Lobo, em busca da resposta. E uma revelação: casos semelhantes acontecem dentro dos próprios lares das vítimas, que silenciam por medo. Hoje, no Globo Repórter. ‘Discovery Channel Vamos determinar se é possível uma pessoa ser engolida viva e sobreviver.Revista Veja Lula sabia das intenções do Lobo.Revista Cláudia Como chegar à casa da vovozinha sem se deixar enganar pelos lobos no caminho.Revista Nova Dez maneiras de levar um lobo à loucura na cama! Revista Isto É Gravações revelam que lobo foi assessor de político influente.Revista Playboy (Ensaio fotográfico do mês seguinte): ‘ Veja o que só o lobo viu’.Revista Vip As 100 mais sexys - desvendamos a adolescente mais gostosa do Brasil!Revista G Magazine (Ensaio com o lenhador) ‘O lenhador mostra o machado’. Revista Caras(Ensaio fotográfico com a Chapeuzinho na semana seguinte):Na banheira de hidromassagem, Chapeuzinho fala a CARAS: ’Até ser devorada, eu não dava valor pra muitas coisas na vida. Hoje, sou outra pessoa. ‘Revista Superinteressante Lobo Mau: mito ou verdade?Revista Tititi Lenhador e Chapeuzinho flagrados em clima romântico em jantar no Rio.Folha de São Paulo Legenda da foto: ‘Chapeuzinho, à direita, aperta a mão de seu salvador’. Na matéria, box com um zoólogo explicando os hábitos alimentares dos lobos e um imenso infográfico mostrando como Chapeuzinho foi devorada e depois salva pelo lenhador.O Estado de São Paulo Lobo que devorou menina seria filiado ao PT.  O Globo Petrobrás apóia ONG do lenhador ligado ao PT, que matou um lobo para salvar menor de idade carente. O Dia Lenhador desempregado tem dia de herói Extra Promoção do mês: junte 20 selos mais 19,90 e troque por uma capa vermelha igual a da Chapeuzinho! Meia hora Lenhador passou o rodo e mandou lobo pedófilo pro saco! O Povo Sangue e tragédia na casa da vovó.

O que o General Mourão Filho, que jamais conheceu Lula, escreveu no início dos anos 70:

Abril 05, 2010 Por: Mário d'Alcântara Categoria: Senta a Púa! Sem comentários →


‘Ponha-se na presidência qualquer medíocre, louco ou semi-analfabeto e vinte e quatro horas depois uma horda de aduladores estará à sua volta, brandindo o elogio como arma, convencendo-o de que é um gênio político e um grande homem, e de que tudo o que faz está certo.

Em pouco tempo transforma-se um ignorante em um sábio, um louco em um gênio equilibrado, um primário em um estadista. E um homem nessa posição, empunhando as rédeas de um poder praticamente sem limites, embriagado pela bajulação, transforma-se num monstro perigoso’.

Mourão Filho, Olympio.” Memórias: a verdade de um revolucionário”. Porto Alegre, L&PM, 1978. Pag. 16

Porque, Drogaria Araújo?

Dezembro 21, 2009 Por: Mário d'Alcântara Categoria: Senta a Púa! 3 Commentários →

Cara Drogaria Araújo,

Permito-me, modestamente (sem trocadilhos) perguntar-lhe: porque uma empresa desse tamanhão não usa seu banco de dados para prestar melhores serviços a seus clientes? Eu, por exemplo, compro meus remédios de velho por telefone. Vocês devem ter um enorme banco de dados sobre seus clientes. Nome, endereço, telefone. E uma lista das mezinhas e preparados que ainda consegue manter toda essa turma viva: Sinvastatina, para o colesterol, Pressat e Maleato de Enalapril para controlar a pressão atmosférica do meu sofrido coração apaixonado, Omeprazol para o inferno da hérnia de hiato. E outros remedinhos para sustentar a vida lúbrica e devassa de toda essa multidão de velhos que ainda encontra algum prazer na vida.

Será que eu vou ter de repisar essa lista toda a vez que eu ligo para vocês? Não sei se a Araújo possui um calendário, uma folhinha de Mariana, informando que o Século XXI já chegou. E que o marketing direto, o marketing de relacionamento, já estão quase tão velhos quanto eu. E vocês da Araújo fazem letra morta de tudo isso. E ainda continuam me enviando, na sacolinha de remédios, um folhetinho meio mamãe-tô-n’água oferecendo comida de gato. Amendoim, cara Araújo, meu cachorrinho, tal como eu, odeia gatos!

Valho-me da presente para informar que existo, sou consumidor e continuo (hélas!) comprando via telefone, embora o serviço de entrega de vocês, que é cobrado, tenha caído muito em qualidade. Feliz Natal, Araújo.

A multiplicação dos chatos!

Outubro 26, 2009 Por: Mário d'Alcântara Categoria: Senta a Púa! Sem comentários →

Carlos Henrique Vilela, por e-mail, informa-me que um cidadão que é professor de design leu minha coluna de 16.10, onde publico um texto inteligente de Fabiano Goldoni. E aí o tal moço do design critica o fato de o Fabiano escrever que Product Placement é o novo nome do merchandising. Trata-se de um mero lapso do Fabiano, que não diminui em nada o texto, que é tão bom que eu copiei na minha página, previamente autorizado pelo autor, é lógico.No “Tratado Geral dos Chatos”, de Guilherme de Figueiredo, o tal professor de design, cujo nome eu desconheço, é o velho Chato Viviseccionista, aquele cara que tudo lê com um lápis na mão, procurando erros, da mesma forma que uma solteirona afirma que alguém está assoviando uma música imoral porque a sacanagem está na cabeça dela, não no assovio do pecador.Vou continuar, quando me for permitido, reproduzindo texto de gente inteligente como o Fábio Goldoni. Até acabar o lápis do tal chato de galocha professor de design.

O mundo endoidou de vez!

Agosto 27, 2009 Por: Mário d'Alcântara Categoria: Senta a Púa! Sem comentários →

Foi o Fernando D’Agostini quem chamou minha atenção para essa doidura total! 

Como “martratá” o indioma!

Agosto 27, 2009 Por: Mário d'Alcântara Categoria: Senta a Púa! Sem comentários →

Tá ali, pra quem não acreditar. No Carlos Prates, na rua em frente à Igreja.A placa no portão não deixa dúvidas sobre a atividade dos proprietários:“VENDE FRANGO-SE” Assim se explica o Governo que temos, cumpanhêro!


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