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Arquivo para Dezembro, 2009

Porque, Drogaria Araújo?

Dezembro 21, 2009 Por: Mário d'Alcântara Categoria: Senta a Púa! 3 Commentários →

Cara Drogaria Araújo,

Permito-me, modestamente (sem trocadilhos) perguntar-lhe: porque uma empresa desse tamanhão não usa seu banco de dados para prestar melhores serviços a seus clientes? Eu, por exemplo, compro meus remédios de velho por telefone. Vocês devem ter um enorme banco de dados sobre seus clientes. Nome, endereço, telefone. E uma lista das mezinhas e preparados que ainda consegue manter toda essa turma viva: Sinvastatina, para o colesterol, Pressat e Maleato de Enalapril para controlar a pressão atmosférica do meu sofrido coração apaixonado, Omeprazol para o inferno da hérnia de hiato. E outros remedinhos para sustentar a vida lúbrica e devassa de toda essa multidão de velhos que ainda encontra algum prazer na vida.

Será que eu vou ter de repisar essa lista toda a vez que eu ligo para vocês? Não sei se a Araújo possui um calendário, uma folhinha de Mariana, informando que o Século XXI já chegou. E que o marketing direto, o marketing de relacionamento, já estão quase tão velhos quanto eu. E vocês da Araújo fazem letra morta de tudo isso. E ainda continuam me enviando, na sacolinha de remédios, um folhetinho meio mamãe-tô-n’água oferecendo comida de gato. Amendoim, cara Araújo, meu cachorrinho, tal como eu, odeia gatos!

Valho-me da presente para informar que existo, sou consumidor e continuo (hélas!) comprando via telefone, embora o serviço de entrega de vocês, que é cobrado, tenha caído muito em qualidade. Feliz Natal, Araújo.

Um ingrediente chamado paixão

Dezembro 11, 2009 Por: Mário d'Alcântara Categoria: Propaganda Sem comentários →

De todas as homenagens que foram feitas no Dia Mundial da Propaganda, nenhuma foi mais bonita, nenhuma me tocou mais que a fala do Álvaro Rezende em sua declaração de amor pela nossa profissão.

O discurso do Álvaro teve um ingrediente que é o próprio sangue, a seiva que gera e nutre nosso ofício. Álvaro não fez retórica, não tirou do bolso um longo texto literário. Álvaro não perorou, não gesticulou, falou mansa e pausadamente, num quase sussuro de quem se declara no ouvido da mulher amada.

Por trás daquele microfone, para um sem-número de publicitários que ouviram em silêncio aquele credo, aquela oração em que todos nós nos unimos, estava o sentimento de todos, sobretudo dos mais velhos, que deram muito mais da metade de seus anos de existência à prática desse maravilhoso mister que é a propaganda.

Todos os homens e mulheres que fabricaram a história da publicidade mineira se acercaram do Álvaro durante e depois de seu discurso para, de alguma forma, demonstrar que em sua fala o Álvaro havia despejado uma imensa dose de amor feita com cada um dos quinhões que os membros da velha e da jovem guarda  doaram  para a construção daquele imenso monumento.

Porque, se eu escrevia, no passado recente, que um dos mais imprescindíveis ingredientes para se fazer boa propaganda era a alegria, não se consegue esse regozijo, não se consegue alcançar essa viva satisfação se não houver amor. Dinheiro, conforto, poder, todas as conquistas se tornarão impossíveis se não houver uma imensa dose de amor na  prática diária  de nosso ofício.

Sem essa paixão, não perderíamos noites e noites de sono, não ficaríamos sem comer, não trabalharíamos doentes, não passaríamos horas e horas nos aeroportos, não enfrentaríamos todos os desafios, todas as crises, todos os males de uma concorrência predatória e, o que é pior, para prover o nosso sustento não toleraríamos nem ao menos o cliente burro!

A propaganda é um vício maravilhoso que nos intoxica, que nos faz perder o sono, que nos embriaga, que se entranha em nossa alma, que se aloja no nosso miolo e nas nossas tripas. Não há profissão mais completa, mais exigente, mais envolvente,mais abrangente que mais atraia, que mais encante, que mais cative, que mais seduza. 

Ali, naquela festa do dia 4 de dezembro, os velhos e os novos publicitários aplaudiram Álvaro Rezende não apenas por tudo aquilo que ele representa para a propaganda mineira, mas, sobretudo, na pessoa e nas palavras do Álvaro celebravam sua paixão pela publicidade. Ali estavam várias dezenas de publicitários, velhos e jovens, de agências, de veículos, de produtoras que em seu aplauso agradeciam ao Álvaro aquela declaração de amor que todos compartilhavam. Acima de todos nós, estava o espírito de Daniel de Freitas, sentado ao piano, com seu charutão e seu eterno sorriso matreiro, na invisibilidade da vida eterna, como enviado do Velho Pai, para afastar  a tristeza da saudade que deixou em todos nós  e brindar-nos com a alegria que  vivemos naquela festa.


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